Se vês as gaivotas rondando um barco, não sabes que os pescadores terminaram a faina?
– Se encontras na areia um búzio perdido, podes ouvir nele o murmúrio do mar?
– És capaz de ver em cada flor um convite de amigo à tua espera?
Isto é sentir a poesia da vida.
Toda a natureza é uma promessa de transformação ou, melhor ainda, de transfiguração.
É só estarmos preparados para merecer o bailado das palavras que ela nos oferece.
Sentiremos, então, como Eugénio de Andrade, que um pássaro e um navio são a mesma coisa.
Quer dizer, tudo é poesia.
Tudo contém a unidade entre as coisas e os homens.
Tudo constitui uma harmonia entre o sonho e a vida.